domingo, 11 de janeiro de 2026

Bibliometria e Cienciometria: A Inteligência de Dados a Serviço da Gestão Estratégica da Ciência

O argumento central que sustenta a Bibliometria e a Cienciometria como pilares da Biblioteconomia moderna é a necessidade de objetividade na avaliação do desempenho acadêmico e institucional. Em um cenário de recursos escassos e competitividade global, não se pode mais gerir a ciência com base em percepções anedóticas ou prestígio subjetivo. O argumento técnico é que o bibliotecário deve utilizar métodos matemáticos e estatísticos para mapear a produção científica, identificando padrões de publicação, redes de colaboração e o impacto real do conhecimento produzido.

O profissional da informação assume o papel de um Cientista de Dados da Ciência, transformando metadados bibliográficos em indicadores estratégicos que orientam desde a contratação de docentes até a definição de áreas prioritárias para investimento governamental.

A primeira linha de raciocínio foca na Avaliação de Impacto e na Gestão de Desempenho Institucional. Através do uso de bases de dados globais (como Web of Science, Scopus e Dimensions) e ferramentas analíticas (como InCites ou SciVal), o bibliotecário gera indicadores complexos, como o Índice H, o Fator de Impacto e o Impacto de Citação Normalizado por Categoria (CNCI). O argumento técnico é que essa análise permite à instituição comparar-se com seus pares globais (benchmarking) e identificar "estrelas" da pesquisa ou lacunas de produtividade. O bibliotecário não apenas entrega o dado; ele faz a curadoria da análise, alertando para os riscos de métricas simplistas e combatendo o uso inadequado de indicadores (como o abuso do Fator de Impacto para avaliar indivíduos, contrariando o Manifesto de Leiden). A biblioteca torna-se, assim, o "Bureau de Inteligência" que fundamenta as decisões da reitoria ou dos conselhos de pesquisa.

Em segundo lugar, a Bibliometria é uma ferramenta essencial para a Cartografia da Ciência e Identificação de Tendências (Horizon Scanning). Através da análise de co-citação e acoplamento bibliográfico, o bibliotecário consegue visualizar grafos de conhecimento que mostram como as disciplinas se fundem e onde estão surgindo as chamadas "frentes de pesquisa" (Research Fronts). O argumento estratégico é que essa visão macro permite antecipar tecnologias disruptivas e identificar nichos de inovação antes que eles se tornem saturados. O bibliotecário atua como um estrategista, apontando, por exemplo, que uma universidade é forte em Inteligência Artificial aplicada à Saúde, mas fraca em colaboração com a indústria, permitindo ajustes imediatos nas políticas de parcerias da instituição.

Além disso, a evolução para a Altmetria (Altmetrics) introduz a dimensão do impacto social da informação. O argumento aqui é que a ciência não ocorre apenas dentro dos periódicos, mas repercute em políticas públicas, patentes, redes sociais, notícias e repositórios de código (como o GitHub). O bibliotecário deve dominar essas novas métricas para mostrar o valor da pesquisa para a sociedade, indo além da citação acadêmica tradicional. Isso é vital para a prestação de contas (accountability) e para a demonstração do retorno sobre o investimento (ROI) de verbas públicas. O profissional da informação torna-se o mediador que traduz o valor invisível da ciência em indicadores compreensíveis para governantes e para o público em geral.

Concluindo, a Bibliometria e a Cienciometria representam a transição da Biblioteconomia para uma ciência de suporte à decisão de alto nível. Bibliotecas que não oferecem serviços de análise bibliométrica estão privando suas instituições de uma bússola fundamental para navegar na competitiva economia do conhecimento. O bibliotecário analista é o profissional que garante que a ciência não seja apenas produzida, mas que seja estrategicamente monitorada, valorizada e projetada para o máximo impacto global.

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