O argumento central que sustenta a integração do UX Design e da Arquitetura da Informação (AI) na Biblioteconomia é que o valor de um acervo é nulo se ele for inacessível ou incompreensível para o usuário final. Historicamente, os sistemas de bibliotecas (OPACs) foram desenhados por bibliotecários para bibliotecários, seguindo lógicas de catalogação densas (como o MARC21) que, embora tecnicamente precisas, criavam barreiras cognitivas para o leigo.
O argumento técnico contemporâneo é que a biblioteca digital deve ser uma interface invisível e intuitiva. Se um usuário gasta mais tempo tentando entender como pesquisar do que consumindo o conteúdo, a biblioteca falhou em sua missão. O bibliotecário moderno deve dominar princípios de usabilidade, taxonomia facetada e design de interação para transformar labirintos de dados em jornadas de descoberta fluidas.A primeira linha de raciocínio foca na Encontrabilidade (Findability) e na Descoberta (Discovery). No ambiente físico, o usuário conta com a serendipidade — o ato de encontrar algo valioso por acaso enquanto caminha pelas estantes. No ambiente digital, essa experiência precisa ser emulada através de uma arquitetura da informação sofisticada. O argumento é de otimização cognitiva: o uso de sistemas de recomendação baseados em grafos de conhecimento, filtros granulares e mecanismos de busca semântica permite que o sistema "entenda" a intenção do usuário além das palavras-chave. O bibliotecário atua como um arquiteto de sistemas de busca (Discovery Services), garantindo que os metadados bibliográficos conversem com as linguagens de marcação da web (como o Schema.org e o Linked Data). Isso garante que o acervo da biblioteca não fique isolado na "deep web", mas seja indexável e encontrável pelos grandes motores de busca globais.
Em segundo lugar, o UX na Biblioteconomia envolve a Acessibilidade Universal e a Inclusão Digital. O argumento estratégico é que a biblioteca tem a obrigação ética de ser o ambiente mais acessível da sociedade. Isso exige que o bibliotecário aplique rigorosamente as diretrizes da WCAG (Web Content Accessibility Guidelines) em todos os seus portais e repositórios. Isso vai desde a compatibilidade com leitores de tela para deficientes visuais até o design responsivo para dispositivos móveis de baixo custo em áreas com conectividade limitada. A "experiência do usuário" não é sobre estética; é sobre democracia informacional. Reduzir a fricção no acesso ao conhecimento é um ato político que garante que a informação chegue aos grupos historicamente marginalizados pela complexidade técnica dos sistemas de informação.
Além disso, a gestão de UX exige que o bibliotecário adote uma cultura de análise de dados de uso (Libmetrics). O argumento aqui é de melhoria contínua baseada em evidências: em vez de assumir o que o usuário deseja, o bibliotecário utiliza testes de usabilidade, mapas de calor (heatmaps) e análise de logs de busca para identificar gargalos no fluxo de informação. Se os dados mostram que os usuários abandonam o sistema na página de login ou que 80% das buscas não retornam resultados, o bibliotecário deve ter a competência técnica para intervir na arquitetura do sistema e redesenhar o fluxo. A Biblioteconomia funde-se com a Ciência da Computação e o Design para garantir que o conhecimento não seja apenas armazenado, mas efetivamente consumido.
Concluindo, a arquitetura da informação e o UX são as ferramentas que impedem que as bibliotecas se tornem silos de informação irrelevantes. Em uma era de sobrecarga de dados, a função da biblioteca é curar a experiência. As instituições que continuarem a oferecer interfaces datadas, complexas e centradas em processos burocráticos de catalogação serão sumariamente substituídas por alternativas comerciais que priorizam a facilidade de uso, perdendo assim a oportunidade de oferecer ao público informação curada, confiável e gratuita.
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